--- Acordem, seus
molengas!!! - Gritou o anão enquanto bloqueava um galho com seu escudo e
decepava o outro com sua machadinha.
Lentamente, o
clérigo se levantava e um pouco tonto pelo susto que o acordou, demorou a
entender a situação. Ele encontrava-se dentro de um círculo de areia fofa, e ao
seu redor era de floresta onde sua maioria era de árvores negras e contorcidas.
Ao seu lado, encontrava-se dois outros humanos deitados ainda adormecidos,
enquanto um anão e um elfo arqueiro travavam uma batalha contra aquelas
estranhas árvores vivas.
Abaixando-se
novamente e tocando ao solo com uma das mãos, enquanto a outra era levada ao
centro dos olhos e recitando palavras de alguma língua antiga, um círculo
rúnico de luz amarelada surgiu no chão ao redor do anão e do elfo. Lentamente
uma luz forte começou a ser emanada de tal círculo, cobrindo os mesmos e
disparando um feixe de luz em todas as direções. Pode-se ouvir um chiado lento
e estridente vindo das árvores, como se queimassem uma larva no fogo de um
caldeirão antigo, além do estalar da madeira. Logo, as árvores se tornaram
imóveis novamente.
O elfo foi até
uma das árvores negras e tocou em sua madeira, que se esfarelou.
-- Essa floresta
quer nos consumir...
O anão arregalou
os olhos com certo receio e engoliu a seco. Poucos segundos foram suficientes
para ele retomar a sua pose de guerreiro heroico. Guardou sua machadinha e foi
até os dois humanos ainda adormecidos, e os sacudiu, acordando-os. Um deles,
musculoso e usando roupas de pele, rapidamente agarrou seu grande machado
afiado que estava ao seu lado e levantou-se em prontidão:
-- Quem são
vocês? Para onde me trouxeram e o que querem comigo? VERMES! - Nesse momento
ele elevou o tom de voz, quase dando um grito.
Então, o clérigo
que usava uma túnica meio amarelada com um grande sol dividido entre dourado e
cinza bordado em seu peito foi até o bárbaro, lhe pedindo calma.
-- Creio que
somos todos desconhecidos uns pelos outros. Certamente esse local é mágico, e algo
ou alguém nos trouxe para cá de alguma forma misteriosa. Certamente temos um
propósito que deve ser cumprido, e precisamos permanecer juntos. Meu nome é
Ortis. Sou um clérigo do Deus Sol. -- Disse estendendo a mão para quem quer que
quisesse cumprimentá-lo.
Olhares
desconfiados foram trocados entre os presentes, até que o elfo de longos
cabelos loiros e vestes em tons de verde e marrom com um grande arco nas costas
decide cumprimentá-lo.
-- Sou Euturiel,
proveniente das Florestas do Norte. Acho que serei útil quanto essa floresta
maldita.
O outro humano
que até então ninguém havia dado muita atenção saiu de trás do elfo e entrou
para o círculo ali formado pelos presentes, empurrando o elfo levemente para o
lado dizendo:
-- Com licença,
acho que ainda não fomos apresentados. Sou Zenon, da Cidade Costeira. Possivelmente
serei útil caso tenhamos que ultrapassar armadilhas ou abrir baús. Jogarei
limpo com vocês, se assim o fizerem comigo. Apesar de falar demais, nos
momentos que me cabem à o fazer, sou leal e justo com aqueles que também o são
comigo.
O bárbaro
balançou a cabeça confirmando, enquanto se apresentava:
-- Sou Karnos. -
Foi apenas o que ele disse. E ninguém se atreveu a perguntar nada.
Até então, o anão
heroico que só se manteve calado, saiu do lado do elfo, fazendo certa cara de
nojo:
-- Sou Lokara! E
por mais que eu odeie essa raça desprezível, acho que conseguirei tolerá-lo até
certo momento, já que em território desconhecido e contra um inimigo tão
estranho quanto, e MÁGICO - disse dando ênfase - mostrou-se um valoroso aliado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário