12.3.17

Capítulo 2 - O Reino dos Sonhos

-- Talvez esse não seja o melhor lugar para conversarmos e nos conhecermos melhor. Devemos seguir caminho. – disse Ortis, recolhendo seu cajado.Estranhamente, todos eles estavam com seus equipamentos e mochilas prontamente arrumados jogados dentro do círculo mágico de areia.
-- Eu os guiarei pela floresta. – disse Euturiel enquanto conferia seus equipamentos.
-- Mas... Por dentro da floresta? Essa coisa viva que nos atacou? E vamos fazer o que dentro dela?! – indagou Lokara, sacando sua machadinha.
-- É o que vamos descobrir... – disse Euturiel, receoso, enquanto andava em direção a floresta negra.

--

-- As árvores... Nunca vi destas das terras de onde vim. Muito menos as frutas. Parecem todas iguais, mas com cores diferentes... – Euturiel parou de andar enquanto analisava a flora local.
-- Essas não se parecem com as que nos atacou. Elas eram negras. – disse Lokara olhando em volta.
-- Magia talvez, ou alguma doença apenas. Mas por que e como? – Ortis se colocou a pensar.
-- E se comermos uma fruta? Parece ter gosto bom...
Antes que alguém pudesse responder, Zenon já havia abocanhado uma das frutas azuis. Um líquido preto começou a escorrer de sua boca, e imediatamente Zenon cuspiu o que havia mordido:
-- Tem um gosto horrível! Gosto de... não sei... terra, talvez.
-- Não comam mais nada!! A floresta está amaldiçoada, você está doido ladino?! – Gritou Lokara.
Antes que Zenon tentasse dizer algo, Lokara o acertou com o escudo no peito, o empurrando para trás:
--- Pelas barbas de minha mãe! – gritou o anão – esse louco tem presas! Ele é um monstro!
-- Calma anão! Essa floresta é mágica, provavelmente deve ter sido o fruto que fez isso. – disse Ortis enquanto usava seu bastão para afastar o anão.
-- Se a floresta é mágica... talvez podemos levar um pouco de madeira. Pode ser útil em nossa terra. – disse Karnos sacando seu machado.
Ele andou suavemente até uma das árvores e a golpeou. O machado foi na mesma força que voltou, e o tilintar do encontro surgiu junto com faíscas.
-- Metal?! – disse Karnos surpreso encarando a árvore enquanto guardava seu machado.
-- Melhor não perdermos muito tempo por aqui... – Disse Euturiel, retomando marcha.
Mais alguns longos minutos de caminhada, e Euturiel cessa marcha novamente.
- Façam silêncio, há um acampamento logo a frente. Se escondam, vamos circundar! – disse Euturiel sussurrando.
Lokara e Zenon foram para um lado, enquanto Euturiel e Karnos pelo outro. Ortis prosseguiu caminho em direção ao acampamento.
Chegando próximo ao acampamento, Ortis primeiro buscou visão de seus amigos. Após isso, adentrou a pequena clareira onde estava uma fogueira acesa. Ao redor desta, estava dois homens sentados em um tronco de árvore assando algo, enquanto um senhor de idade estava em pé, olhando para Ortis. Ambos vestiam uma túnica azul com pontos prateados, algo que parecia o céu.
-- Bem-vindo, forasteiro. Talvez não devesse parar por aqui, seu caminho segue adiante. – disse o senhor recebendo Ortis.
-- Não sei aonde estou, nem como vim parar aqui. Pode me dar uma posição? Sabe de algo?
-- Sei que seu amigo está procurando por um mapa... dentro da minha bolsa. – o senhor apontou para dentro da pequena cabana improvisada e rapidamente Zenon foi puxado para a frente da fogueira, amarrado – Gostaria também que seus outros amigos parassem de esgueirar meu acampamento. Não precisamos disso.
Alguns segundos de silêncio se passaram, e então o homem bateu com o seu cajado no chão, jogando todos os outros forasteiros para dentro do acampamento.
-- Bom, o destino de vocês é o castelo, após o Jardim dos Adormecidos. Vocês não deveriam se dar ao luxo de perder muito tempo. Os quadros estão começando a desaparecer. E caso queiram voltar para seja lá de onde vieram, recomendo que cumpram com seu dever o mais rápido possível.
-- Apenas nos diga algo que possa ser útil! O que devemos fazer? – indagou Ortis com certa preocupação.
-- Destrua o Pesadelo que está tentando dominar o Reino dos Sonhos. Ele já destruiu boa parte por aqui...
-- Com licença senhor, mas você parece bem poderoso. E bem... esse local é sua morada, não nossa. Por que o senhor mesmo não acaba com isso? – Zenon, jogado ao chão, disse tentando se levantar amarrado.
-- Caso o Reino dos Sonhos seja destruído... quem perderia com isso? Imagine um mundo sem sonhos. Onde as pessoas não possuem metas e não almejam nada. Provavelmente nem espadas e escudos vocês teriam.
As amarras se dissolveram e Zenon se levantou.
-- Bom, vamos nessa então... – Euturiel com certo medo pôs-se a andar.


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