24.3.17

Capítulo 3 - A Aranha Apanha-Lembranças

Na marcha preocupada e acelerada, Zenon teve de cortar o clima silencioso:
-- Er... Desculpa atrapalhar a marcha dos senhores, mas devo dizer que nosso guia não avisou sobre as teias pelo caminho. E não sei vocês, mas essa merda agarrou meu braço...
-- Fraco... – balbuciou Karnos enquanto ia até Zenon para puxá-lo.
Com certo esforço, Karnos consegue soltá-lo. Todos perceberam a força que teve de ser feita, e lentamente sacaram suas armas e agacharam para diminuir a visibilidade de uma possível ameaça observando-os.
Enquanto seguiam caminho, as fendas entre algumas árvores estavam completamente fechadas de teias. Quanto mais cruzavam a floresta, mais teias apareciam. Podiam notar também que, quanto mais adentravam esse território, mais árvores negras e quebradas apareciam, e mais as árvores coloridas recheadas de frutos sumiam. Até o momento que uma enorme aranha desceu pela sua teia na frente do grupo. Prontamente alertas, o grupo se posicionou para um possível confronto, mas a aranha tocou o solo e correu para uma de suas teias, e o grupo pôde ouvir uma voz:
-- Forasteiros... essa terra me pertence. Para onde vão com tanta pressa? – Uma breve pausa de dois segundos protagonizou um enorme silêncio – E medo...
A boca da aranha não se mexia, mas era possível notar o vibrar das teias. Algum tipo de magia ou encantamento poderia estar por trás disso.
-- Vamos ao castelo. Disseram que precisamos resolver alguma coisa por lá. – Lokara buscava dizer a verdade, mas sem entregar o jogo.
-- Como disse, estão em minhas terras e eu comando tudo por aqui. Talvez eu possa ajuda-los a atravessar a floresta sem se perderem ou evitar que sejam atacados por alguma fera...
-- Seria ótimo... Dona Aranha? Não sei como chama-la... – Zenon gaguejou com certo medo de ofender a criatura.
-- Não precisa se preocupar com a forma que me chamas, logo nunca mais me verão. Apenas preciso de boas lembranças para ajuda-los. Tenho minhas filhas para alimentar...
-- Boas lembranças? Mas como? – Indagou Ortis, com certo receio.
-- Tudo no Reino dos Sonhos é a base de trocas... Lembranças, sonhos, memórias, metas... essas coisas podem ser trocadas.
-- E como faríamos isso?
-- Apenas toquem na teia que enrola aquela árvore brilhante... logo após, minhas filhas lhe mostrarão o caminho.
O grupo se aproximou da árvore com certo receio de tocá-la. Zenon foi o primeiro a tocar e sentiu uma sensação de paz e felicidade correr pelo seu corpo. Contou ao grupo sobre a experiência e logo todos tocaram.
Aranhas do tamanho aproximado de uma mão de orc saíram de buracos no chão, de cima das árvores e de qualquer outra toca esquisita e fizeram uma extensa linha de aranhas, para que os aventureiros seguissem talvez não muito certos do destino e ligeiramente desconfiados.


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Na boca da saída da floresta, as aranhas se recolheram pelas suas teias. Os aventureiros puderam se deleitar com a atual vista: Um enorme jardim que se perdiam aos olhos, podendo ser visto apenas o topo do telhado do castelo atrás. Logo a frente, um portão de ferro aberto e acima deste um arco de metal. Notavelmente mágico, o arco trazia os dizeres “O Jardim dos Adormecidos”. Devido a corrupção do Pesadelo, algumas letras piscavam em um tom belo de azul enquanto outras permaneciam apagadas, e a frase mudava de língua por alguns segundos antes de voltar ao normal.

Enquanto se aproximavam, o portão se abriu vagarosamente. 

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